domingo, 13 de fevereiro de 2011

A COELCE E SUA HISTÓRIA NO CEARÁ E EM GUARAMIRANGA

 

COELCE 3 Guara1923

Nestas últimas semanas a COELCE tem feito desligamento programado da eletricidade na cidade de Guaramiranga e com panfletos informativos vem antecipando, narrando a necessidade e dando publicidade as datas e horários das ocorrências, tudo em ato muito louvável.

As obras são de substituição de alguns postes e toda a rede de condutores de alta tensão da rua principal da cidade.

Estas obras também são para a ampliação da rede central, indo agora pela rodovia até o condomínio Monte - Flor.

Aproveitamos esta iniciativa da COELCE, que é uma dos patrocinadoras do XII Festival de Jazz e Blues, organizado em Guaramiranga pela Via de Comunicação e Cultura (http://www.viadecomunicacao.com/), para expor um histórico sobre a chegada de energia elétrica em nosso município.

Com a novidade da iluminação das vias públicas, possibilitada pela revolução industrial da Europa, que aos poucos chegava ao Brasil, inicialmente pelas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, segue o Ceará, nos mesmos passos.

Assim, além de Fortaleza, seguiam com implantação de rede de iluminação pública efetuada por geradores à base de combustíveis e administrado por cada Município, sendo que paulatinamente seriam implantadas: Aquiraz (1902), Tauá (1910), Russas (1912), Messejana, Soure (Caucaia) e Redenção (1912), Barbalha, Iguatu, Crato, Ipu e Quixadá em 1913, Maranguape, Baturité, Camocim e Aracati, em 1916, e Cascavel, Lavras, Jaguaruana, Limoeiro, Crateús, Icó e Jaguaribe em 1918.

Alguns não seguiram a iluminação usual por geradores à base de combustíveis, sendo a cidade de Guaramiranga, uma delas, tanto que quando o Governador do Estado, Justiniano de Serpa, restaurou o Município, através da Lei nº 1.887 de 25.10.1921, e, sendo eleito seu primeiro prefeito, antes o cargo era de intendente, Francisco de Mattos Brito, mais conhecido como Coronel Chichil (permaneceu no cargo até meados de 1928, tendo sido reeleito), no seu primeiro mandado, conseguiu a autorização Governador Ildefonso Albano (1923-1924 - ex-prefeito de Fortaleza no governo de Franco Rabelo - 1912-1914) para contratar uma firma para construir a rede de iluminação elétrica da cidade de Guaramiranga (abertura de crédito no orçamento através da Lei nº 2.077 de 28.08.1923).

A rede partia da usina hidrelétrica do Sítio Iracema, propriedade recém-adquirida pelo então prefeito, junto ao Padre Dr. José Augusto da Frota, antes desmembrado do Sítio Riacho Fundo.

Assim, o engenheiro contratado pelo Estado foi Carlos Carneiro Leão, que foi auxiliado por Arcelino de Mattos Brito e Renato Fortunato Pessoa, planejaram e montaram a usina hidroelétrica do Sítio Iracema, aproveitando o potencial da cachoeira do Urubu, no riacho Macapá. Esta obra teve o seu pioneirismo, pois foi a terceira hidroelétrica do Ceará, inaugurada em 12 de dezembro de 1926, precedida apenas pelas de Baturité em 2 de junho de 1918 e pela do Crato em 15 de março de 1920.

Observe com atenção a foto da época apresentada no inicio deste artigo, nela se vislumbra claramente um poste com suas várias luminárias, modelo este que caracterizava a iluminação pública da cidade.

Guaramiranga apesar de toda a sua originalidade havia perdido sua autonomia política e passou a pertencer ao Município de Pacoti, foram então desativadas a rede e a hidroelétrica, voltando ao sistema tradicional de geradores à base de combustíveis, na administração municipal de Pacoti, do Prefeito José Juaci Pereira (1954-1957), foi restauradas a rede de iluminação elétrica da sede de Guaramiranga e construídas as de Pernambuquinho, Forquilha e Botija.

Mudanças viriam com o Plano de Eletrificação do Nordeste, cuja finalidade era a eletrificação total pela CHESFE na região, Fortaleza seria contemplada com uma rede vindo diretamente da hidroelétrica de Paulo Afonso, no rio São Francisco.

Logo foi projetada e financiada pela SUDENE o sistema de alta tensão de Baturité, compreendendo a linha de transmissão de Fortaleza a Baturité, passando por Maranguape, subestações, linhas de subtransmissão e rede de distribuição de energia elétrica para atendimento das áreas territoriais dos municípios de Maranguape, Pacatuba, Guaiuba, Redenção, Baturité, Capistrano, Aratuba, Mulungu, Guaramiranga, Pacoti, Palmácia, Aracoiaba, Caridade, Paramoti, Canindé, Itatira, Maracanaú e Choro.

Assim no Ceará, a partir dos anos de 1960, seriam criadas vários distribuidoras desta nova alternativa, a Companhia de Eletrificação Centro-Norte do Ceará (CENORTE), que a seu cargo ficou a de atender às regiões Norte e Centro-Litoral do Estado, excluídas a cidade de Fortaleza, que ficou a cargo da Companhia Nordeste de Eletrificação de Fortaleza (CONEFOR), da Companhia Rural do Nordeste (CERNE), que operava no Vale do Jaguaribe e da Companhia de Eletricidade do Cariri (CELCA), que operava no Cariri.

Guaramiranga havia sido novamente restaurado, 1957, e na administração do prefeito de Flávio César de Holanda (1966-1970) houve a desativação da rede de iluminação antiga alimentada a motor e geradores à base de combustíveis e a instalação da energia elétrica da CHESF.

Fato ocorrido em 09.05.1967, a distribuição ficou a cargo da CENORTE, a inauguração contou com a presença de várias autoridades, dentre elas, a do vice-governador, Gal. Humberto Ellery, que na oportunidade recebeu o Título de Cidadão de Guaramiranga.

Nos distritos a chegada ocorreria somente anos depois, sendo que o prefeito Francisca Farias Filho, o Fariínha (1971-1972), inaugurou em 1972, a rede de iluminação publica de Pernambuquinho e Forquilha.

Em 1971, este modelo seria desfeito e unificado as empresas existentes, sendo criada pelo Governo do Estado do Ceará, a Companhia Energética do Ceará (COELCE).

Em 1995, ainda estatal, tornou-se uma companhia de capital aberto, e em 1998, por meio de leilão público realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, foi privatizada. Atualmente, a Companhia é controlada pela Endesa Espanha, que detém 59% de participação na Empresa, sendo 2,3% diretamente, e 56,6% através da Investluz S/A, sociedade formada pela Endesa Internacional, Ampla (antiga Cerj), Chilectra e Enersis.

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