segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

DE PORTAS FECHADAS

OPOVO online

21.02.2011| 01:30

Interditado há mais de 60 dias, o Teatro Rachel de Queiroz, o principal da cidade de Guaramiranga, não tem previsão para retomar as atividades. Rachaduras e infiltrações comprometem a estrutura do equipamento

Quem passa pela frente do Teatro Rachel de Queiroz, o maior da cidade serrana de Guaramiranga, e o vê embelezando a praça central do município, até imagina que ele está só aguardando o Carnaval chegar para, mais uma vez, abrigar um dos seus mais tradicionais eventos, o Festival de Jazz & Blues. Engana-se. Há cerca de 60 dias, o teatro fechou suas portas e, até agora, não tem nenhuma previsão para reabri-las.

Enormes rachaduras nas paredes dos fundos, infiltrações no teto e no solo do teatro explicam os motivos do fechamento. “O teatro está interditado porque detectou uma deficiência na estrutura. Um engenheiro da Prefeitura nos recomendou não utilizar [o teatro] no momento”, explica Ricardo Ruiz, assessor de Cultura e Turismo de Guaramiranga. Segundo ele, o equipamento dispõe de três laudos técnicos recomendando a interdição da casa. “Ninguém pode dizer que o teatro vai cair, mas nesta situação que está hoje, acho que corre, sim, o risco”, avalia Ruiz.

Durante o período chuvoso, a situação fica ainda mais complicada. Quando chove forte, as áreas do palco e do porão – que são mais baixas que o nível da rua – alagam e a água chega a atingir um metro de altura. Por baixo do teatro, passa um canal de drenagem, que, segundo suspeitam os técnicos responsáveis pelo laudo, está com rachaduras em seus tubos, permitindo com que a água infiltre pelo solo e comprometa a estrutura física do equipamento. “Quando chove, a gente tem que tirar a água na mão”, relata um funcionário do teatro.

Construído em 1997, o Teatro Rachel de Queiroz, na verdade, nunca chegou a ser finalizado, conforme relatou o secretário. Apesar de anualmente receber eventos importantes para o calendário cultural do Estado como o Festival de Jazz & Blues e o Festival Nordestino de Teatro, até 2009, o espaço não possuía sequer poltronas fixas. As que hoje ocupam a plateia foram doadas pela Assembleia Legislativa. O restante da parte técnica (equipamento de som, iluminação e refrigeração), sempre que necessário, é instalado pelas produções que utilizam o espaço.

Segundo informou Ricardo Ruiz, a Prefeitura de Guaramiranga não possui verba para realizar os reparos na estrutura do teatro, obra com valor estimado em R$ 200 mil. Já para a recuperação e finalização total do equipamento, a estimativa de gastos gira em torno R$ 1,5 milhão. “Nós precisamos de ajuda, sozinhos não vamos conseguir”, diz Ruiz.

O pedido de socorro já foi feito ao então secretário de cultura do Governo do Estado, Professor Pinheiro - atualmente licenciado do cargo -, que solicitou à Prefeitura de Guaramiranga um projeto completo de todas as demandas do teatro. “Estamos aguardando o projeto técnico mais detalhado para que a gente possa se posicionar. O Governo tem responsabilidade com os bens culturais do Estado, mas com certeza, teremos todo o empenho em finalizar o teatro”, garantiu a secretária adjunta da Secretaria de Cultura, Maninha Moraes, atualmente respondendo pela pasta.

FONTE: OPOVO ONLINE

Naara Vale
naara@opovo.com.br

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