quarta-feira, 23 de março de 2011

LADEIRA DA PENDANGA, AGORA SAI!

Foto Ladeira da Pendanga

A Ladeira da Pendanga que permanecia um tabu, sendo seu asfaltamento uma promessa de campanha não cumprida por vários candidatos ao governo do Estado, desde o tempo dos coronéis, passando por Tasso Jereissati, Ciro Gomes e Lúcio Alcântara, parece que agora vai ser mesmo executada por CID GOMES, foto. Tal promessa era fato aberto e OPOVO_01_05_1984sempre cobrado pelas lideranças políticas e movimentos sociais dos Municípios de Guaramiranga, Caridade, Pacoti, Paramoti, Pentecoste e Canindé, como pode ser observado pela carta publicada por José Aldemar de Queiroz, primeiro prefeito de Guaramiranga, após sua restauração, no ano de 1957, publicada no jornal “O Povo”, de 01 de maio de 1984, foto, portanto, ha mais de 26 anos, que como então presidente do PDS (Partido Democrático Social /Partido do Governo) pedia a restauração da via ao Governo do Estado.



O PROJETO DE EXECUÇÃO

A elaboração do projeto foi contratado na concorrência pública nº 030/2008, aberta pelo DER, vencido pelo consórcio COMOL/HSZ//RNR, no valor de R$ 249.974.50.
Este projeto especificou na planta de execução dentro outras que:
  • A pista de rolamento terá em média a largura de seis metros em duas faixas de 3 metros cada, um acostamento de 1 metro para cada lado e a área de drenagem molhada será de 1 metros e a seca de 50 centímetro (No projeto se vê claramente esta especificação no anel da saída da BR020, em Inhuporanga / Campos Belo, no Município de Caridade, já não se vê o mesmo no anel de chegada ao Sítio Guarajá, no Município de Guaramiranga).
  • A parte específica sobre drenagens pluviais contemplará a construção de três pontes de 36 metros de extensão sobre o rio Capitão-Mor, 83 bueiros, mais 6 para serem apenas recuperados, 121 bocas e 39 caixas (As atuais estruturas em concreto armado estão bastante deterioradas com o tempo, pois foram construídas entre os anos 1936 a 1938 (veja o histórico). Pelo menos duas pontes sobre o rio Capitão-Mor poderão ser evitadas apenas com desvios e acréscimo de obras de terraplanagem que é consideravelmente mais barato e menos demorado. Também não haverá ônus de indenizações tendo em vista que a fazenda São Vicente, encontra-se em processo de desapropriação pelo INCRA.
  • A parte especifica sobre sinalização contempla ampla visualização sobre todas as informações do trecho, dentro outras, as rotas Turística de Romaria e Ecológica, entroncamento com rodovias federais e povoados, além de todos os dados especifico sobre a via.
  • Por fim, a parte específica sobre preservação ambiental é bastante interessante, pois contempla a conservação das árvores com diâmetro superior a 15 centímetros, além da exigência do acúmulo (conservação) e posterior reposição de toda a camada de solo orgânico preexistente, dentro de uma faixa de até três metros da pista.
Veja abaixo links de acesso com algumas fotos.jpg do projeto (abre noutra página):

CAPA INTRO LOCAL PONTE1  PONTE2 PONTE3 GUARAJÁ
RESUM BR020 PISTA SINALI1 SINALI2 SINALI3 ECO


DA LICITAÇÃO

O edital de licitação da Concorrência Pública Nacional de n° 20100033/DER/CCC, datada de 17 de dezembro de 2010, para pavimentação da rodovia CE253, no trecho: Pernambuquinho / Inhuporanga, com extensão de 25,16 Km, com todos os detalhes pode ser acessado, no seguinte endereço: licita.seplag.ce.gov.br/pdf, abre um arquivo em PDF.
Os serviços licitados serão pagos com recurso orçamentário do tesouro do Estado, no valor global estimado de R$ 26.738.853,34 (vinte e seis milhões, setecentos e trinta e oito mil, oitocentos e cinquenta e três reais e trinta e quatro centavos), com a seguinte dotação orçamentária: 08200001.26.782.180.11490 / Construção de Rodovias Estaduais, Elemento de Despesa: 449051 / Obras e Instalações, ADR – 05; Fontes: 00 - Recursos Ordinários.
Para participar do processo de habilitação inscreveram-se 12 (doze) interessados, a saber:
  • Consórcio FBS / DPBARROS (FBS Construção Civil e Pavimentação Ltda. e DP Barros Arquitetura e Construção Ltda.)
  • Consórcio JM / COSAMPA (JM Terraplenagem e Construção Ltda. e Cosampa Projetos e Construções Ltda.)
  • Consórcio NOVATEC / TRIUNFO (Novatec Construções e Empreendimentos Ltda. e Triunfo Engenharia Ltda.)
  • Consórcio BRITÂNIA / LOMACON (Construtora Britânia Ltda. e Lomacon Locação e Construção Ltda.)
  • Construtora Beta S/A
  • Construtora G & F Ltda.
  • Construtora Getel Ltda.
  • Construtora Samaria Ltda.
  • Copa Engenharia Ltda.
  • Esse - Engenharia, Sinalização e Serviços Especiais Ltda.
  • Tamasa Engenharia S/A
  • Terrabras Terraplenagens do Brasil S.A.
O procedimento encontra-se hoje junto ao setor jurídico do DER para elaboração de PARECER sobre os pedidos de revisão da negativa de habilitação interpostos pelo Consórcio NOVATEC / TRIUNFO (Novatec Construções e Empreendimentos Ltda. e Triunfo Engenharia Ltda. e Copa Engenharia Ltda. que foram desclassificados em 07 de fevereiro de 2011.


CID GOMES _ MENEZES PIMENTEL















Na década de trinta, Guaramiranga não possuía estradas para o Sertão de Canindé/Caridade e o acesso se dava, para os que não queriam se deslocar até Aratuba, por dois íngremes caminhos, a Ladeira do Monteiro, com acesso pelo Sítio de Fora e a Ladeira do Miguelão, com acesso pela atual Linha da Serra.
Coma a chegada ao poder de Getúlio Vargas (1930-1945), através da Revolução de Trinta e Estado Novo, o governo preservou a lógica de construção de açudes como antídoto contra as secas do Nordeste, mas como novidade houve a intensificação de construção de rodovias cortando a região, principalmente nos sertões.
Assim, graças ao trabalho do DNOCS – antes IOCS e, posteriormente IFOCS – foram-se descortinando nos sertões do semiárido, as estradas, que iam surgindo e facilitando a migração dos sertanejos em direção ao litoral e às metrópoles do Sudeste. Para tanto, colaborou o pensamento vigente à época, de que os fluxos populacionais deveriam se adensar no litoral, fortalecendo o comércio pelo Atlântico. Esse raciocínio orientou o planejamento governamental de então.
A economia brasileira, puramente agrícola, que até então orbitava em torno da economia inglesa, também passava por mudança com o fortalecimento dos laços econômicos com os EUA, cresceram, o "american way of life" contamina a sociedade brasileira.
O primeiro Inspetor de Secas, órgão criado por Vargas, teve grande dificuldade para impor ao Nordeste o progresso exigido pelo novo governo, tudo diante da insuficiência do número de profissionais qualificados e habilitados, nos diversos ramos da ciência, pois fez contratar topógrafos, fisiógrafos, geólogos, engenheiros, botânicos, hidrólogos, etc. Resolvido à carência, acumularam enorme acervo de conhecimento sobre o meio – sem falar que houve um frenesi de importação de máquinas, equipamentos e até cimento (que o Brasil não produzia, ou se já produzi não era suficiente).
Não obstante o progresso alcançado, com ele também veio fatores negativos, os canteiros das obras públicas gerenciadas pelo DNOCS transformaram-se imediatamente em arenas políticas onde se desenrolava um embate estranho de pressões e contrapressões, em que o mais valia era o envolvimento pessoal dos que dominavam. Os “chefes", engenheiros que comandavam os acampamentos e os trabalhos, tinham que tentar conciliar a capacidade da obra em receber novos trabalhadores à necessidade técnica de cada uma deles e o direcionamento político dado pelos dirigentes do órgão.
No Ceará e em Guaramiranga não foi diferente, a construção da Ladeira da Pendanga fugiu a lógica de seguir os antigos caminhos, historicamente legados, falados no início.
Noticiavam a época, que uma grande aglomeração de flagelados encontravam-se faminto na cidade de Canindé. O então interventor do Estado, Francisco Menezes Pimentel, foto, que administrou o Ceará, por 10 anos (entre 1935 a 1945), determinou o início da construção pelo DVOP – Departamento de Viação e Obras Públicas – de uma estrada que iniciava no Sítio Lagoa (recém-adquirida por Francisco Alves Linhares) passando por toda a extensão das Fazendas São Vicente e Santo Antônio, de propriedade de Menezes Pimentel (uma adquirida e a outra recebida em legado de Libânia de Holanda) e que deveria ter como mão-de-obra prioritária aqueles fugitivos das secas.
O sistema passou a funcionava na base do fornecimento, isto é, além dos operários que subiam a Serra paulatinamente conforme o estado da obra e que logo foram apelidados pelos serranos de “cassacos”, pelo mau cheiro de suor e sua pouca vontade de uso do banho, era também recrutado pela liderança política, um ou mais comerciantes (fornecedor de gêneros alimentícios) que se alojavam precariamente nos acampamentos e vendiam fiado para receberem na chegado do pagamento. Meu avó, Francisco Nascimento Almeida, foi fornecedor por toda a extensão desta estrada, por convite do próprio Dr. Pimentel.

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