domingo, 28 de agosto de 2011

Guaramiranga - O Teatro Inacabado

TEATRO EM CONSTRUÇÃO
Foto: Facebook Nilde Ferreira
Desde dezembro do ano passado, o Teatro Municipal Rachel de Queiroz fechou as portas, devido a rachaduras nas paredes dos fundos e infiltrações no teto que prejudicam sua estrutura física. Enquanto não for reformado, não existe qualquer sinalização de volta ao seu habitual funcionamento. Em visita a Guaramiranga na última terça-feira, a equipe do O POVO constatou goteiras que danificam o solo do teatro e fissuras nas paredes. Durante as chuvas, a situação é ainda mais gritante. O palco e o porão alagam. O teatro foi construído em uma região onde passa um canal de drenagem, que, segundo suspeitavam os laudos anteriores, estaria com infiltrações nos tubos.
O POVO teve acesso ao último laudo, assinado pelo engenheiro Helder Martins. Ele constata que as infiltrações são resultado do rompimento de um tubo de drenagem, que inundou o subsolo, logo abaixo do palco, cujo piso é de solo batido. A inundação provocou a saturação do solo e, por consequência, a acomodação da fundação dos pilares. Para resolver o problema, o engenheiro recomenda o projeto e a execução de uma drenagem permanente no subsolo, a recuperação da calçada no contorno do teatro e a recuperação das alvenarias e das vigas fissuradas.
O valor estimado com a recuperação total do equipamento soma cerca de R$ 1,5 milhão. A prefeitura de Guaramiranga solicitou apoio da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), que pediu um projeto completo de todas as demandas do teatro. Durante o último encontro de secretários do Maciço de Baturité, o secretário de Cultura e Turismo de Guaramiranga, Almir Franco, afirmou ter conversado com a secretária-adjunta de Cultura do Estado, Maninha Moraes, sobre a atual situação do teatro. “Nunca entendi porque o teatro não foi concluído. A expressão é de dor. Não se fez o cuidado devido e teve infiltração”, lamenta Almir.
Segundo nota da coordenação de comunicação da Secult, uma reunião está agendada para o dia 16 de setembro, entre o secretário Francisco Pinheiro e o secretário Almir Franco. “Pinheiro já manifestou a disposição da Secult em colaborar com a finalização da obra e recuperação”, explica a nota. De acordo com dados da Secult, o órgão já fomenta festivais culturais consolidados de Guaramiranga, com verbas do mecenato estadual e do Fundo Estadual da Cultura. Em cada uma das duas últimas edições do Festival Nordestino de Teatro (FNT), houve patrocínio de R$ 300 mil, respectivamente via demanda espontânea e edital Mecenas do Ceará. Ao Festival de Jazz e Blues 2011, foram doados R$ 190 mil, também via edital Mecenas do Ceará.
Apesar do apoio do poder público estadual, os dois festivais foram comprometidos, por causa do fechamento do teatro. Previsto para acontecer de 3 a 10 de setembro, a 18ª edição do FNT precisou adequar sua mostra tradicional a espetáculos de rua, que pudessem usar espaços alternativos, como a praça do teatro municipal. “O festival vai acontecer na rua, por uma situação que está posta e não por opção. Vamos fazer de tudo para acontecer, até para chamar a atenção para o descaso da cidade. É uma sinalização para que algo seja feito”, afirma Vanildo Costa, coordenador artístico da Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga (Agua), articuladora do festival.
Em março, a última edição do Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga precisou ser transferida para o Estádio Municipal Jean Bardawil, em uma estrutura de 1.500 m², que custou R$ 170 mil a mais no orçamento da produção do festival. “No ano passado, com a impossibilidade de usar o teatro, foi estruturada uma grande arena, que distribuiu melhor o público e deu mais conforto. O problema é que, para o perfil do evento, é uma estrutura cara”, frisa Maria Amélia Mamede, produtora da Via de Comunicação, responsável pelo Jazz & Blues. Por outro lado, ela confirma que o evento não vai abandonar a cidade, contrariando boatos que surgiram nas últimas semanas entre Fortaleza e Guaramiranga. “Já estamos com o projeto de captação na praça e trabalhando para realizar a próxima edição ainda melhor”, afirmou categoricamente.

POR Camila Vieira
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